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Pedreira, Barigui, MON… como eram os principais pontos de Curitiba “antes da fama”

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Fotos e histórias mostram o antes e o depois dos cinco principais pontos de passeio na capital paranaense

Ainda hoje é comum conversar com antigos moradores de Curitiba que quando olham para o Parque Barigui dizem algo como: “Lembro quando isso aqui era tudo mato, só tinha uma olaria ali atrás…”

Assim como aconteceu com um dos mais famosos parques da cidade, os principais pontos de passeio de Curitiba foram criados não apenas pela ação da natureza, mas também por iniciativas oficiais do poder público que transformaram a paisagem da cidade e criaram os seus principais cartões-postais.

O Guia da Gazeta do Povo + Clube garimpou fotos antigas de cinco espaços que hoje são símbolos de Curitiba. Nas imagens, é possível comparar o aspecto e o uso atual com o do passado e contar a história das mudanças pelas quais eles passaram.

Pedreira Paulo Leminski (1990)

As rochas – gnaisse e migmatito – já estavam ali há muito tempo. Pelo menos uns 600 milhões de anos ou antes, durante o período proterozóico, era em que se formou a bacia sedimentar da região de Curitiba. Porém, foi apenas no primeiro quarto do século 20 que foi dado uso comercial àquele terreno pedregoso, pelas mãos do patriarca e industrial João Gava. Da escavação da pedreira na fronteira dos bairros Abranches e Pilarzinho foi tirada a matéria-prima para o antipó das poucas centenas de ruas que Curitiba tinha até a década de 1950.

Em 1949, a prefeitura arrendou a Pedreira e municipalizou seu uso com os mesmos objetivos. Esta fase durou 32 anos. Em 1971 a Pedreira foi desativada por esgotamento e mudanças tecnológicas. Em sua primeira gestão como prefeito (1971-1975), porém, o arquiteto Jaime Lerner (1971) vislumbrou um novo uso para aquele patrimônio público. Lerner imaginou um grande auditório a céu aberto naquela paisagem lunar a 6 km da Praça Osório.

A ideia se tornou real em 1990, durante a terceira gestão (1988-1992) de Lerner como prefeito. Batizado em homenagem ao recém-falecido poeta Paulo Leminski (1944-1989), a Pedreira inaugurou como palco em um show com Gilberto Gil, Paralamas do Sucesso e os jamaicanos do The Wailers.

Desde então recebeu shows antológicos como Paul McCartney, Ramones, David Bowie, o tenor José Carreras, Black Sabbath, Pixies, AC/DC, Kiss e Elton John, entre muitos outros. As fotos mostram momentos da Pedreira. Uma das fotos mostra a noite em 1974 em que o prefeito Lerner testou pela primeira vez o espaço como sala de concertos a céu aberto. Foi um concerto da Orquestra Sinfônica do Paraná com regência do célebre maestro Isaac Karabtchevsky. A segunda é a versão atual da Pedreira Paulo Leminski.

Parque Tanguá (1996)

Há uma segunda pedreira desativada que conseguiu cavar um lugar no coração do curitibano. Também foi parte das antigas pedreiras da família Gava, um pouco acima da atual Paulo Leminski,  no relevo do bairro do Pilarzinho, à beira do rio Barigui, no encontro dos entre os municípios de Curitiba e Almirante Tamandaré. Também foi desativada nos anos 1970.

Em 1996, durante a primeira gestão do prefeito Rafael Greca (1993-1996) a área foi transformada no Parque Tanguá, inaugurado em novembro daquele ano.

Parte das instalações do Tanguá – como a loja, lanchonete e o túnel – estiveram, no entanto, algo abandonadas nos últimos anos e só de uns meses para cá o parque tem passado por reformas.

Na rara foto, uma imagem do século 19 da região que hoje corresponde à entrada do estacionamento do Parque Tanguá com algumas casas que faziam parte da paisagem do local. A outra foto mostra está a mesma vista do Parque Tanguá atualmente.

O parque logo se tornou um dos preferidos dos curitibanos por suas várias atrações como a cascata artificial construída no paredão de mais de 65 metros, o túnel por dentro da rocha e a vista deslumbrante do portal – um dos melhores pontos para ver o pôr do sol em Curitiba.

Parque Barigui (1972)

O Barigui é a “praia” do curitibano, o mais importante parque público de uma comunidade que se orgulha muito dos seus. Criado em 1972, também pelo então novato prefeito Jaime Lerner, o Parque Barigui é destino obrigatório de moradores e turistas, frequentado por esportistas e por quem gosta de fazer churrasco, por escoteiros, jacarés e capivaras.
Com um 1,4 milhão de metros quadrados de área, o Barigui tem uma das áreas verdes mais preservadas da cidade em seus três bosques, onde se pode apreciar espécies como araucárias, erva-mate, pitangueira, bromélias, orquídea e guabiroba. Há trilhas para caminhar em meio à mata.

Um dos principais atrativos são as pistas de corrida e ciclovias, três delas, com extensões de 3300, 2850 e 1045 metros.O parque também tem um Pavilhão de Exposições, um centro de eventos o Expo Renault Barigui, além do Museu do Automóvel, aberto em 1976.

Antes de ser transformado em parque – como parte de um plano urbanístico para conter as enchentes na região – o local que tinha sido uma fazenda da família Leme e era cravejado por algumas olarias cujas instalações foram mantidas e hoje são usadas para abrigar lanchonetes e equipamentos do parque.

Na primeira foto, um vista do lago rio Barigui com as olarias ao fundo. A segunda foto mostra o Barigui atualmente.

Jardim Botânico (1991)

O Jardim Botânico é o cartão-postal mais visitado de Curitiba. Dados da prefeitura informam que cerca de 60% dos usuários da Linha Turismo fazem questão de descer ali.

Inaugurado em 1991, na terceira gestão Jaime Lerner (1989 a 1992), com projeto do arquiteto e urbanista Abrão Assad, o Jardim Botânico forma – com a Rua 24 Horas e a Ópera de Arame – a tríade de equipamentos públicos que deram a cara da “Curitiba lernista” erguidos em metal tubular e vidro. Quem tira uma selfie na estufa do Botânico, anda pelos os jardins inspirados no francês Palácio de Versalhes ou conhece o Museu Botânico, talvez nem imagine que naquela área, entre os anos 1950 e meados dos 1970, ficava uma ocupação irregular de Curitiba.

A Vila do Capanema, então com 700 famílias e cerca de três mil pessoas. A comunidade foi retirada por uma ação da Companhia de Habi­­­tação (Cohab), entre 1976 e 1977, reurbanizando a área onde agora está o Jardim Botânico.

A instalação do parque motivou um plebiscito em que os moradores mudaram o nome do bairro de Capanema – que aludia ao barão que tinha sido dono da maior parte daquelas terras – para Jardim Botânico em 1992. Usando o carnê do IPTU como cédula de votação, o resultado foi 1.341 pessoas a favor da mudança do nome, contra 351 votos.

Na foto acima, uma imagem da área após a realocação promovida pela Cohab entre 1976 e 1977. Na segunda foto, o atual Jardim Botânico.

Museu Oscar Niemeyer (2002)

Caso raro em que a obra original foi transformada pelo próprio autor é o do Museu Oscar Niemeyer (MON). Inaugurado em novembro de 2002, por inciativa do então governador Jaime Lerner (1995-2002) com o nome de Novo Museu, o atual MON recém completou 15 anos e é hoje o maior da América Latina.

A construção do MON aproveitou o projeto feito por Oscar Niemeyer em 1967 para ser a sede do Instituto de Educação do Paraná. A obra, no entanto, foi inaugurada somente em 1978, batizado como Edifício Presidente Humberto de Alencar Castelo Branco e acabou funcionando como sede de secretarias de estado até 2002. O projeto de transformação do espaço implicou a readequação do prédio já existente e, como jóia da coroa, a criação do famoso anexo do “Olho”.

Em seus 15 anos de atividade, o MON acumula mais de 300 exposições nacionais e internacionais e já recebeu mais de três milhões de visitantes desde sua inauguração. O museu tem mais de quatro mil obras em seu acervo e foi indicado pelo prêmio Travellers’ Choice 2017, do site especializado em turismo TripAdvisor, como o terceiro melhor museu do Brasil e o quinto da América do Sul.

Na  foto, o edifício Castello Branco na época de sua inauguração. Logo depois, o mesmo ângulo atualmente no MON.

 

Fonte: Gazeta do Povo
Fotos: Acervo da Casa da Memória/Diretoria de Patrimônio Cultural/ Fundação Cultural de Curitiba e arquivo Gazeta do Povo.