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Lambrequins: Avenida Anita Garibaldi guarda resquícios de uma Curitiba de madeira

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Principal avenida do Barreirinha, Anita Garibaldi guarda exemplares ainda conservados de casas de madeira e seus elementos arquitetônicos característicos

Na esquina da Avenida Anita Garibaldi com a Rua Francisco Krainski, uma casa de madeira salta aos olhos em meio às construções vizinhas, de alvenaria, e aos ares de urbanização que a cercam. O sótão, os lambrequins em volta de todo o beiral e o verde das árvores frutíferas cultivadas no quintal fazem dela um exemplar vivo do que a região do Barreirinha foi em seus primórdios: uma área onde os imigrantes poloneses que chegaram à capital se estabeleceram cultivando milho, centeio, batata e trabalhando na fabricação de carroças. A atividade, aliás, estava alinhada ao que a atual avenida representava naquele período, ou seja, um caminho sinuoso que ligava Curitiba a Almirante Tamandaré.

Datada do início da década de 1920, a casa foi construída pelo polonês Francisco Krainski e sua esposa Adelaide, de origem alemã, e serviu de residência do casal e de seus sete filhos por cerca de cinco décadas. O senhor Francisco, inclusive, empresta seu nome a uma das ruas do endereço do imóvel. “Meu avô doou [parte do] terreno para que a rua pudesse sair na Anita Garibaldi”, conta Gilberto Mafazolli, neto de Francisco, ao justificar o “batismo” do logradouro.

 

Herdeiro e atual morador do imóvel, Gilberto é quem mantém viva não apenas a história, mas a própria estrutura da construção. Ao longo dos anos, ele precisou realizar algumas alterações na casa, como a substituição da forração interna original por peças de PVC. Boa parte dela, no entanto, se mantém original e apresenta traços comuns a outras casas de madeira da região – algumas não tão bem conservadas como a do nº 3.601. Entre eles estão o forro de tábuas corridas da varanda, as portas feitas de tábuas pregadas lado a lado e os charmosos lambrequins.

O arquiteto Fábio Domingos Batista também tem na lei um dos fatores que explica a presença do elemento decorativo nas construções em madeira datadas da primeira metade do século passado. Mas vai além ao dizer que a legislação não seria suficiente para, sozinha, garantir tal fato.

“O lambrequim é um elemento da arquitetura eclética. Sua produção em Curitiba se iniciou juntamente com [o movimento de] imigração, uma vez que muitos mestres carpinteiros eram poloneses ou italianos, por exemplo, o que faz com que [eles carreguem] uma referência e uma ligação afetiva [ com estas populações]”, destaca.

Mais do que enfeitar as casas, os lambrequins também exercem uma função de proteção do imóvel. Isso porque as tábuas retangulares, de cerca de 40 cm de comprimento e com desenhos simétricos, funcionam como pingadeiras, direcionando a água da chuva e protegendo o madeiramento do telhado.

fonte: gazetadopovo