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Conheça curiosidades sobre o famoso Teatro Paiol

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Batizado com uísque por Vinicius de Moraes, o Teatro Paiol é o símbolo de uma transformação cultural que a cidade de Curitiba pôs em marcha no começo da década de 1970.

O pequeno teatro de arena instalado num antigo paiol de pólvora, construído em 1874, pode ser considerado o marco zero do período em que a administração pública passou a transformar a geografia da cidade para criar espaços culturais, boa parte deles em atividade até hoje.

Inaugurado em 1972, em um show histórico com Vinícius, Toquinho, Marília Medalha e o Trio Mocotó, o Paiol ainda é um dos palcos mais queridos por artistas de todo o país pela proximidade que o artista tem do público e todas as circunstâncias que envolveram a sua criação.

Símbolo da FCC

O Teatro do Paiol foi criado durante a primeira gestão de Jaime Lerner (1971 a 1975) como prefeito de Curitiba. Ele tirou do papel uma ideia que já circulava entre a classe artística local e encomendou ao arquiteto Abraão Aniz Assad o projeto.

Dentro da esfera cultural pública, o Teatro do Paiol foi o primeiro equipamento da Fundação Cultural de Curitiba (FCC), autarquia municipal de cultura que só foi criada efetivamente em 1973. Isso em uma época em que a cidade só tinha o Teatro da Reitoria da UFPR e o Guaíra, que estava sendo reconstruído depois de um incêndio.

O novo espaço passou a abrigar shows, cinema, peças e exposições. Ao longo dos anos seguintes, com a criação de outros espaços, se tornou cada vez mais um reduto da MPB em plena ditadura. Além de Toquinho e Vinicius, passaram por ali Elza Soares, Moreira da Silva, Gonzaguinha, Elis Regina, Ivan Lins, João Bosco, Djavan e muitos outros As características do teatro com formato de arena, o pequeno espaço intimista de pouco mais de 200 lugares e a peculiaridade de ter sido um paiol de pólvora o tornam um espaço único.

A última reforma do espaço foi realizada em 2010. Foram feitas obras de recuperação estrutural de contenção do telhado, manutenção da cobertura e das poltronas e isolamento acústico do ar-condicionado.

Teatro local

O Paiol recebeu peças marcantes ao longo de seus mais de 45 anos, como Esperando Godot, dirigido por Paulo José e Baal Babilônia; espetáculo solo de Guilherme Weber, sob a direção do Felipe Hirsch; primeiro trabalho da Sutil Companhia. Clássicos da cena teatral local forma montados no Paiol, como Arena Conta Tiradentes [que inaugurou o palco] e História do Zoo, com direção de Oraci Gemba e Bicho de Sete Cabeças, Céu da Boca e Urubu, de Manuel Carlos Karam.

Vinicius de Moraes

Vinicius batizou com uísque

O Teatro Paiol foi inaugurado com pompa e circunstância na noite de 27 de dezembro, a primeira de uma temporada de três dias de Vinícius de Moraes, Toquinho, Marília Medalha e o Trio Mocotó. Aos 58 anos, porém, Vinicius o rebatizou quando mostrou na última noite (29) a canção Paiol de Pólvora, que criou com seu então novo parceiro.

O poeta assim nomeou o espaço, que quase foi chamado Teatro Sérgio Porto. Reza a lenda que Vinicius teria batizado o teatro com uísque. Quando o poeta morreu, o teatro não mudou de nome, mas o espaço também foi nomeado Sala Vinicius de Moraes.

O jornalista Aramis Millarch (1943-1992) participou com destaque de toda a movimentação para a fundação do Paiol. Pesquisando o acervo de sua produção jornalística, fica-se sabendo que o prefeito Lerner, na verdade, pensou em estrear com uma grande peça teatral, mas por questões práticas acabou-se optando por um espetáculo musical e a premiação aos destaques de 1971, na área teatral.

A abertura do novo teatro possibilitou o sonho de trazer Vinícius a Curitiba. Neste tempo, o poeta já tinha sido aposentado (compulsoriamente pela ditadura militar, diga-se) do serviço diplomático e tinha virado uma espécie de hippie no litoral baiano. Coube a Aramis localizar o telefone de um vizinho de Vinícius em Itapoã e fazer o convite que para a surpresa geral, foi aceito. Em seus arquivos, Aramis relatou assim a chegada:

No dia 26 de dezembro, um domingo, o poeta e seus amigos chegaram a Curitiba. Com atraso de dois voos, para aflição de todos… Rosto vermelho, garrafa de Chivas Regal debaixo do braço e boné cobrindo seus cabelos brancos, o poeta desceu do avião, perguntando por Jaime Lerner, com que havia falado duas vezes ao telefone…”.

 

Data: 24/09/2018

Fonte: Gazeta do Povo

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