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Obra de Ai Weiwei no MON

Conheça Curitiba

Conhecido pelo tom político, as obras do artista Ai Weiwei chegam a Curitiba na maior exposição realizada com seus trabalhos no Brasil até hoje — “Ai Weiwei – Raiz” abre ao público a partir do dia 3 de maio com 40 obras e 15 vídeos no espaço mais nobre do Museu Oscar Niemeyer (MON), o “Olho”.


Obra de Weiwei colocada em frente ao MON (Foto: Valquir Aureliano)

Muitos dos trabalhos são inéditos, realizados pelo artista a partir de uma imersão por diversos estados brasileiros. A exposição, que tem curadoria de Marcello Dantas, fica em cartaz até 28 de julho.

Um dos principais nomes da cena contemporânea mundial, Ai Weiwei deixou seu país de origem em 2015 e se destaca no cenário internacional pelo interesse que demonstra por questões sociais e humanas, como a crise global de refugiados e a luta pela liberdade de expressão, temas presentes em “Raiz”.

Autoritarismo, liberdade de expressão e direitos humanos são outros temas com os quais Ai Weiwei dialoga constantemente, frisa a diretora-geral da Secretaria de Estado da Cultura, Luciana Casagrande Pereira.

As obras
Alguns de seus trabalhos mais conhecidos são grandes instalações que tensionam o mundo contemporâneo e os modos tradicionais chineses de pensamento e produção, como a obra-prima Dropping a Han Dynasty Urn(Deixando cair uma urna da dinastia Han), que mostra o artista derrubando intencionalmente uma urna cerimonial de cerca de 2 mil anos, da Dinastia Han, período da história da civilização chinesa. A ação subversiva e transformadora foi captada e transformada em três imagens que vêm sendo expostas em mostras por todo o mundo. No MON, a versão poderá ser vista em peças de Lego.

Outros trabalhos históricos conhecidos mundialmente também estarão expostos, como “Sunflower Seeds” (Sementes de girassol), composto por milhões de “sementes de girassol” de porcelana pintadas à mão por artesãos chineses e que levanta a questão da produção em massa e perda da individualidade. Todo processo de produção é mostrado em um pequeno documentário. O público poderá ver ainda a instalação “Forever Bicycles” ,que utiliza bicicletas como blocos de construção, fazendo também alusão à multiplicação e repetição.

Já a imersão pelo Brasil contou com a consultoria da designer Paula Dib, que colocou o artista em contato com comunidades, artesãos, manifestações culturais e recursos regionais até então desconhecidos por ele, resultando em trabalhos inéditos feitos com madeira, sementes, cerâmica, raízes e couro. AI Weiwei se propôs a desvendar e absorver a cultura local e moldar objetos que representam a biodiversidade, a paisagem humana e a criatividade brasileira.

No Brasil
Antes de Curitiba, a exposição ocupou a Oca do Parque Ibirapuera, em São Paulo, com recorde de público. Em 2013, o Museu da Imagem e do Som de São Paulo realizou a primeira individual do artista chinês no Brasil: “Interlacing” reuniu vídeos, textos e fotografias (como a icônica middle finger, uma série em que ele mostra o “dedo do meio” para monumentos como a Torre Eiffel e a Casa Branca, e que reflete o tom irônico de seu trabalho).

Em 2015, a sede da Secretaria de Estado da Cultura (SEEC) recebeu, dentro da programação da Bienal Internacional de Curitiba de 2013, a instalação Very Yao. Construída também com bicicletas, o trabalho de sete metros de altura chegou a Curitiba pelo Porto de Paranaguá (vindo da Itália), onde estava exposto na Bienal de Veneza — em uma viagem que durou 39 dias. Na época, foi o próprio artista quem escolheu o prédio como sede, refletindo a sua defesa ao patrimônio histórico das cidades.

Serviço
Exposição ‘Ai Weiwei Raiz’
De 2 de maio (a partir das 19 horas) a 4 de agosto de 2019
Espaço: Olho
Museu Oscar Niemeyer (MON)
Rua Marechal Hermes, 999. Curitiba/PR
museuoscarniemeyer.org.br
Visitação: terça a domingo, das 10h às 18h
R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada)
Quartas-feiras com entrada gratuita

Fonte: Revista Museu


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